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segunda-feira, 24 de março de 2014

MATHEUS CHEGOU

Minha sogra me disse que estou me tornando um pai coruja. Imagina...
Rejeito com veemência esse rótulo.

Afirmei para mim mesmo que não vou cair na onda da “corujice”. Isso é coisa de avós e tios com câmeras na mão. Não quero que pensem que sou um pai babão, desses que não falam outra coisa a não ser do filho. E para isso já tomei todos os cuidados.

Por exemplo, sobre as fotos.

Tirei apenas algumas fotos do Matheus com meu smartphone. Somente umas 500 fotos, sei lá... talvez 800. Poderia ter tirado mais mas meu aparelho mostra insistentemente a seguinte mensagem: “memória cheia”.
Não faço ideia do que aconteceu pois não fico baixando aplicativos, na maioria inúteis, para encher o dispositivo. Aliás, deletei alguns para liberar mais espaço.

Mas isso não é problema porque ainda posso usar o celular da minha esposa e também tem o Tablet, além de duas câmeras digitais. Mas só quero com isso registrar os momentos mais importantes, como na hora que ele acorda, que ele começa a mamar, quando ele chora, quando ele para de chorar, quando ele boceja, quando ele abre o olho, quando ele soluça, quando ele esboça um sorriso, se preparando para o banho, no banho, depois do banho. Nada de exageros...  

E também não compartilho as fotos com muita gente. Somente com parentes, amigos, parentes dos amigos, amigos da minha esposa, amigos do trabalho, da faculdade, da pós-graduação, do ensino médio, amigos de infância, amigos dos amigos da minha esposa, vizinhos...

Ainda no hospital, Matheus foi o centro das atenções. Muito mimado pelas enfermeiras e pelas visitas. Que exagero!!! Só porque ele foi o bebê mais bonito que nasceu nos últimos 10 anos naquela maternidade e quase o transformaram numa celebridade.

É por isso que evito paparicá-lo. Durante o dia, por exemplo, deixo ele bastante tempo com a mãe, além claro, das horas dele mamar. Umas duas ou três horas por dia. As outras 21 horas ele fica comigo. Afinal o Matheus precisa de coisas simples para passar bem o dia como arrotar, ninar, brincar, dormir, assistir futebol, cantar, ouvir música, tomar sol, ir do berço pra sala, da sala pro quarto, do quarto pro berço...

Tudo bem, eu assumo que fico com ele um pouco mais que o necessário mas é só até a Vivi se recuperar totalmente. Aí eu deixo o Matheus umas 4 ou 5 horas por dia com ela.

Procuro não exagera nos cuidados. Quando ele está dormindo vou vê-lo de 5 em 5 minutos mas só por precaução. Às vezes pego ele no colo. Principalmente depois de mamar, para que ele arrote e mais umas 20 vezes no dia, mas é para ele começar a se acostumar com a presença do pai.

Enfim. Dou a ele apenas uma atenção discreta, a “conta-gotas” para ele ir se acostumando. Nada desse papo de “pai coruja”.



quarta-feira, 14 de agosto de 2013

O FABULOSO DESTINO DE TODOS NÓS

O mundo te mostra um caminho
Te dá um empurrãozinho
Você vacila, duvida, treme
Treme e teme
Acha que não era pra você
E você se conforma do jeito que tudo está

O tempo passa
Tudo parece estar esquecido
Você tem a impressão que o mundo é completamente outro
Eis que você está no caminho de novo
Mas agora com a certeza de que tem que ser este
Sem vacilo, dúvida nem tremores
Nem temores
Agora sabe que é pra você

E você nunca mais se conforma

quinta-feira, 8 de agosto de 2013

FORMAS

Linda é a gota de suor que beija o teu rosto.

Que pode tocar seus lábios.

Que pode sentir o gosto.

Que ao descer por sua face a desenha.

Formas perfeitas.

Traços e linhas.

Então está emoldurada.

Para embelezar um pouco mais o mundo.

E tornar menos triste a caminhada.

segunda-feira, 29 de julho de 2013

MEMÓRIAS DO SEGUNDO PERÍODO

Saio da faculdade exausto, depois de uma terrível prova. Depois de esperar por alguma coisa que nunca chega. Vou para meu “retiro espiritual”, pego meu carro e subo até o Mangabeiras, chego na praça do Papa. Compro um refrigerante e sento de frente para a cidade. Começo a esperar. Não sei bem o que. Mas olhar para essa bela vista me dá a certeza que, o que estou esperando vai chegar, vai acontecer.
Olho para o lado e vejo um senhor bem vestido que não para de olhar o relógio. Mais um esperando… Mas certamente deve ser uma pessoa. Continuo bebendo meu refrigerante, esperando o tempo passar, esperando a latinha acabar… O homem continua olhando insistentemente o relógio e espera…
O tempo passa e ninguém chega. Nada chega. Só o frio e a curiosidade. Penso na bela mulher que essa figura deve estar esperando tão ansiosamente.
Depois de algum tempo percebo o tal homem olhando para um ponto fixo na rua lá em baixo. Abre um largo sorriso. Olho para o mesmo ponto mas não vejo ninguém. Ele olha para o relógio novamente. E ainda com um sorriso no rosto se levanta, entra no seu carro e vai embora.

O que ele estava esperando chegou? Com certeza que sim. Não sei o que era, mas percebi que não sou eu o único maluco desse mundo a subir num dos pontos mais altos da cidade, sentar em algum lugar e esperar.

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

EU VI O CAMINHO

Eu quero me tornar a escuridão
Me abrigar nas sombras
Quero deixar minha taça vazia
Abandonar o mundo
Arrancar quase tudo que há dentro de mim
E deixar só uma centelha
Quero não desejar
Eu não quero mais ser

Entre o sim e o não, escolhi o meio
Quero aprender a não olhar para trás
Quero tirar os sapatos e sentir as pedras sangrarem meus pés
Quero beber o sangue
Sentir o choque
Ficar tonto
Quero vomitar
Flutuar no oceano e me tornar inútil, estéril, deserdado, incompleto
Um vazio

E quando achar que tudo está perdido
Abrir os olhos e contemplar o paraíso
Esse é o caminho

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

MARDI GRAS


Lua nova, no céu se aproxima

Chamando todos a se lançarem às ruas e avenidas

Os escravos foram libertados

O rei, posto ao cargo

E é nessa conjunção cósmica, quase uma conspiração, em que todos acreditam

A fantasia é posta sobre a fantasia e a máscara sobre as máscaras

Todos seguem felizes, embriagados, velados

Do meu lugar assisto tudo nauseado

Aproveitemo-nos utentes, pois as privações começarão adiante

No final todos estarão caídos pelo chão

Caídos a esperar socorro

E a esperar a lua cheia quando Outono chegar

domingo, 6 de janeiro de 2013

O PLANTIO

Há muito tempo eu te deixei para trás.
Ainda jovem, pequena, frágil.
Fiz tudo o que me ensinaram.
Preparei o terreno, não me esqueci da água.
Pensei na sombra, pensei no sol.
Tudo certo. Tudo para você crescer.
Me virei e fui embora, sem saber o que aconteceria no próximo instante.

Como você deve estar agora?
Será que cresceu?
Será que todos já podem sentir o seu perfume?
Será que o sol fez a sua parte?
Tenho tantas dúvidas...

Mas eu voltarei.
Ansioso por lhe encontrar.
Será que vai me reconhecer?
Eu certamente irei lhe reconhecer.
Tomara que você esteja grande, forte, bela e perfumada.
Minha rosa que deixei para trás, mas que nunca esqueci.
E nunca te esquecerei.

quinta-feira, 30 de agosto de 2012

QUEM SABE UM DIA?

Eis que cheo ao trigésimo terceiro andar.
Olho pela janela e vejo as pessoas tão pequenas. Todas iguais.
Andando pela rua com celulares modernos, apressadas.
Eu apenas curto o visual aqui de cima.
Com medo de altura.

O suor ainda escorre pelo rosto.
As mãos ainda trêmulas.
A voz embargada.
Mas me sinto bem.
E após dez anos inteiros meu coração balança.
Juntamente com minha incrível vontade de pular.
Quem sabe um dia...

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

NO ESCURO

Eu não sou bem vindo.
Por isso fico aqui escondido apenas a olhar.
Consigo sentir o aroma das flores.
Consigo perceber a alegria nos rostos.
Mas fico aqui sem que ninguém saiba.
Ou senão eu já teria sido capturado.

Eu não sou bem vindo.
Mas gosto dos sorrisos.
Gosto dos olhares.
Gosto de imaginar o sabor que teria se pudesse provar.
Prefiro permanecer longe da luz dos postes.
Longe dos carros.
Longe do tumulto da multidão.
Certo que o meu lugar está lá.
E quando ninguém mais puder me ver você acreditará que eu serei feliz.

terça-feira, 27 de março de 2012

ENTREVISTA COM RENATO RUSSO



Está é a história de um jornalista que foi levado por um anjo, pois foi pautado para entrevistar Renato Russo no céu. Mas quando chegou foi imediatamente barrado por São Pedro que disse: “Ele não está aqui, está no limbo, lugar de poetas e pensadores como ele”. De repente uma forte ventania carregou o jornalista para o limbo.

Chegando lá começou a procurá-lo. O encontrou sentado debaixo de uma grande árvore de largo tronco e raízes que saíam do chão. Ele estava com seu inseparável violão ensaiando algumas letras.

A entrevista foi breve mas interessante. Ele respondia a todas as perguntas cantarolando e tocando aquele que dissera ser o seu maior amigo. Foi mais ou menos assim:



-Bom dia Renato, o que você está achando da crise na Grécia?

-”Que país é esse! Que país é esse”!



-E o que você está achando do atual momento político brasileiro?

-”Um dia pretendo tentar descobrir porque é mais forte quem sabe mentir”.



-Você está gostando da preparação da seleção brasileira para a copa do mundo de 2014?

-”Será que vamos conseguir vencer”?



-E o país? Vc acha que ainda tem jeito?

-”Quando tudo está perdido, sempre existe um caminho”.



-A crescente violência nas favelas do Rio de Janeiro e nas grandes cidades te preocupa?

-”Se o mundo é mesmo parecido com o que vejo, prefiro acreditar no mundo do meu jeito… tentei chorar e não consegui”.



-Você não se sente muito sozinho debaixo dessa árvore o dia inteiro?

-”Me dizem que a solidão até que me cai bem”.



-Qual foi a primeira coisa que você disse a Cássia Eller quando ela chegou aqui?

-”Vamos descobrir o mundo juntos baby, quero aprender com o teu pequeno grande coração…”


-Para finalizar, diga alguma coisa para o povo brasileiro tão sofrido e tão saudoso de tuas letras.

-”É preciso amar as pessoas como se não houvesse amanhã”.



-Bom, tenho que ir, adorei a entrevista…

-”Não vá embora, fique um pouco mais…”



-Preciso entregar essa matéria cedo para ser publicada amanhã, de qualquer forma obrigado pela entrevista.

-”Mas obrigado por pensar em mim.”



27 de Março de 2012. Renato Russo completaria 52 anos. Parabéns trovador solitário!!!!!

quinta-feira, 22 de março de 2012

UM NOVO HORIZONTE



JOÃO ACORDOU CEDO, FOI PARA A REPÚBLICA TOMAR CAFÉ ENQUANTO FUMAVA UM CHARUTO E LIA O JORNAL.


E AINDA CEDO FOI CAMINHAR NA PRAÇA DA LIBERDADE, REPARANDO NAS PESSOAS E NAS CONVERSAS DOS OUTROS.


ANDANDO SÓ FOI DE JOÃO PINHEIRO ATÉ AFONSO ARINOS. PEGOU UM ÔNIBUS E FICOU NA PRAÇA DO PAPA PENSANDO EM MUDAR SUA VIDA. FOI EMBORA, FOI DISCUTIR FUTEBOL NA PRAÇA SETE, TOMAR OUTRO CAFÉ, TOMAR OUTRO ÔNIBUS. NO SANTA TEREZA CHEGOU, PASSEOU PELA PRAÇA, E MAIS GENTE OLHANDO, E MAIS GENTE CONVERSANDO, E MAIS COISAS PASSAVAM EM SUA CABEÇA.


ALMOÇOU NO BOLÃO.
TOMOU CAFÉ COM LEITE NO MEIO DA FLORESTA.
E NO MEIO DO VIADUTO SE SENTIU IMORTAL.
E COMO NÃO PODIA DEIXAR DE SER SUBIU BAHIA.


E ANTES PASSOU PELOS TEATROS DA VIDA.
PASSOU POR MARÍLIA, POR FRANCISCO E OUTROS MAIS.
PASSOU POR ÍNDIOS MORTOS,
FRANCESES MUTILADOS, PAÍSES ESQUECIDOS.


PASSOU POR OBELISCOS OBSOLETOS,
SINAIS TROCADOS, CARROS BATIDOS.
PASSOU POR PALÁCIOS INCENDIADOS,
CASAS IMORAIS, LOJAS AMORAIS.


ANDOU TANTO ATÉ CANSAR.
E DESCANSAR OUTRA VEZ NA PRAÇA DA LIBERDADE.
E DEPOIS TOMAR MAIS CAFÉ SÓ QUE AGORA COM LETRAS.


QUEM SABE VER A NECA E LEMBRAR DOS BONS E MAUS TEMPOS.
QUEM SABE VER A FERNANDA OU SAMUEL OU ROGÉRIO.
QUEM SABE NA PRAÇA DA SAVASSI.


TOMOU UM CHOPP E PENSOU NA VIDA.
SUA VIDA NÃO MUDOU, SEU OLHAR NÃO MUDOU.

MAS ENFIM DESCOBRIU UM NOVO HORIZONTE.

segunda-feira, 5 de março de 2012

E FOI PRECISO

Foi preciso cair para aprender a me equilibrar

Foi preciso me machucar para que eu tomasse mais cuidado

Foram precisas feridas, para entender como funcionam os remédios

Foram precisas as lágrimas, para que eu me tornasse enfim alegre

Foi preciso ser jogado na escuridão e então reconheci a luz

Foi preciso estar preso para que desejasse a liberdade

Foi preciso você, para que eu me conhecesse

Foi preciso conhecer-me para eu poder amar-te

E foi preciso, amar...



sábado, 3 de março de 2012

PARA NÃO LEVAR A SÉRIO


ONTEM EU ERA

OUSADO

ERA SONHADOR

ERA APAIXONADO

ERA SIMPLES

TRANQUILO

CORRETO

ERA INTENSO

ERA PACIENTE

ONTEM EU ERA DE PAZ

ONTEM EU ME SENTIA EM PAZ

ONTEM EU ME SENTIA CAPAZ

ONTEM EU ERA LÚCIDO

ERA ÁGIL

ERA DOCE

ERA FÁCIL

ONTEM EU CONVERSAVA

EU RIA

EU CANTAVA

EU PULAVA

ONTEM EU FECHAVA OS OLHOS

E PODIA VER O MUNDO MELHOR

ONTEM EU DORMIA BEM

ACORDAVA BEM

ANDAVA BEM

ONTEM ERA COMO SE HOJE NÃO EXISTISSE

COMO SE AMANHÃ TIVESSE IDO EMBORA

COMO SE ONTEM AINDA FOSSE ACONTECER

ONTEM EU SONHAVA COM VOCÊ

EU VIA AS COISAS BOAS

EU FAZIA COISAS BOAS

ONTEM ERA TUDO SIMPLES

ONTEM ERA TUDO FÁCIL

HOJE SOU DIFERENTE

HOJE NÃO FAÇO MAIS NADA DISSO

HOJE EU SOU FELIZ



segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

NINA E EU

As férias da minha esposa estão chegando. Isso significa viagem à vista (na verdade a prazo pois está tudo muito caro!). Logo terei que me programar para troca de plantões e me preparar para perder aulas importantes da pós-graduação. Mas estas não são minhas maiores preocupações. Na verdade o que tem me tirado o sono é deixar para trás minha cadela Nina da raça Labrador, de apenas dois anos, aos cuidados da minha sogra. Preocupação não pelo Labrador, mas pela minha sogra.


Como as recomendações necessárias a um cão Labrador não são poucas e nem simples então decidi deixar tudo por escrito. Ainda precisa de modificações mas ficará mais ou menos assim:

“A Nina acorda todos os dias por volta de 7 da manhã. O pão dela deve estar pronto no máximo em 15 minutos após o despertar. Caso contrário todo o bairro acordará na mesma hora. O pão deve ser jogado (sem margarina ou qualquer outra coisa dentro) nos degraus superiores da escadaria que leva ao corredor já que um outro pão deve ser jogado em baixo para a Mel (minha outra cadela, vira-lata, que felizmente sabe se cuidar sozinha).


Após o café-da-manhã deverão ser entregues as garrafas 'PET' para que ela possa brincar por toda a manhã juntamente com seu ossinho sintético.


Na hora do almoço encha a vasilha de ração até a metade e a coloque distante da outra vasilha destinada para a Mel. Na hipótese da Mel comer a ração primeiro é necessário permanecer ao lado da vasilha da Nina até que a mesma possa terminar sua refeição pois ela não come se a Mel estiver por perto. Inclua sempre uma fruta na sobremesa.


Depois de almoçar geralmente a Nina faz a sesta dormindo ao ar livre. Mas para isso carinhos em sua barriga são necessários para iniciar o processo. Para facilitar a chegada rápida do sono e evitar problemas de hiperatividade durante o resto do dia recomendo colocar o CD Player próximo a ela com os CDs que deixei em cima da estante. As músicas deverão ser colocadas nessa ordem:

1.Franz Liszt — Rhap­so­die Hon­groise Nº 1
2.Tchai­kovsky — Op 37 - The Seasons No 6 - June Barcarolle
3.Cho­pin — Valsa em A-flat maior, Op. 69, No. 1
4.Bach — Sonata Nº 1 em A menor, BWV 1001 
5.Eric Satie — Gymnopedie Nº1 e Gnossienne Nº 3
6.Vivaldi — Con­certo para Oboe em D menor, RV 454 II. Largo
7.Debussy — Sonata para Flauta, Viola and Harpa, 1915

Importantíssimo. As versões devem ser exatamente as mesmas listadas.


No fim da tarde dê um passeio na pracinha. Para colocar a coleira lembre-se sempre de passar a pata direita primeiro, depois a pata esquerda e só assim coloque a parte que prende no peito.


Ao retornar leve-a para beber água. Abra a torneira que fica à direita do tanque (nunca a torneira esquerda). Coloque sua mão em formato de concha de modo que a água possa escorrer até ao alcance da boca da Nina (fotos do procedimento em anexo).


Por volta de 19 horas encha novamente a vasilha com ração. Repita as operações como no almoço. Lembre-se, se necessário, fique perto até ela terminar a refeição.


Antes dela dormir arrume a cama da Mel e somente depois, a da Nina. São três camas que devem ser ‘montadas’ da seguinte maneira:


1 - Coloque de 3 a 4 panos próximos da máquina de lavar roupas


2 - Coloque 2 panos próximos da porta da cozinha


3 - Coloque 2 a 3 panos na varanda.


Importante, verifique se não colocou nenhum pano dela por engano na cama da Mel. Ela escolherá o melhor lugar para dormir levando em consideração critérios de temperatura, umidade do ar ou estado de carência.


No caso da Nina latir durante a noite siga os seguintes passos:


1 - Verifique se há ração sobrando na vasilha. Talvez ela esteja com fome e quer comer com alguém ao lado para garantir que a Mel não estará atrapalhando por perto.


2 - Certifique-se que todos os brinquedos foram recolhidos pois ela pode estar querendo brincar de madrugada com a Mel, que quer apenas dormir.


3 - Se ela estiver latindo com cara de assustada olhando para algum canto mostre a ela que não há nada e diga olhando nos olhos dela com firmeza: fantasmas não existem (se você achar mesmo que é um fantasma esconda o seu medo e tente ser convincente).


4 - Se não for ração, fantasmas ou brinquedos ela está querendo uma relaxante massagem para dormir. Se for esse o caso proceda da seguinte forma: inicie a massagem no sentido céfalo-caudal começando pela nuca até a região lombar. Faça movimentos circulares com a polpa dos dedos, no sentido anti-horário passando por toda a pelagem até a metade da coluna. O restante deve ser feito em movimentos ondulares sincronizados com as duas mãos (para aprender a realizar movimentos ondulares sincronizados vide folha em anexo). Volte em direção à cabeça agora apoiando a eminência hipotenar levantando suavemente os pêlos. Repita a operação três vezes.


Normalmente essas medidas surtem efeito. Em todo caso não bata nela. Ela pensará que se trata de uma brincadeira nova e ficará mais alerta ainda. Se for xingar faça isso olhando fixamente nos olhos. Seja firme e aja com sinceridade. Fale o que realmente está pensando, diga a verdade e não use expressões de baixo calão. Ela vai perceber que você vai xingá-la e lançará mão de recursos teatrais para evitar a bronca. Certamente fará uma cara de cachorrinho indefeso abandonado que lhe dilacerá o coração e olhará pra você como quem diz: 'mas eu não fiz nada'. Antes que você comece a chorar xingue-a com firmeza, depois chore.”

Bom, acho que já é um começo, ainda me lembrarei de mais cuidados até o dia da viagem. Espero que as recomendações escritas funcionem. Deixarei cópias para o meu sogro e meu cunhado. Ah, também enviarei cópias para os bombeiros, SAMU e defesa civil. Sabe-se lá quando será necessário...



sábado, 18 de fevereiro de 2012

ETERNO CARNAVAL

Rasguei minha fantasia
Escondi a máscara na última gaveta
Joquei no lixo os confetes
E a serpentina agora enrolada na minha coluna tem outra função
Vou celebrar o abandono, a lágrima, o esquecimento
Meu carnaval será na Grécia, ou no Egito, ou no Oriente
Vou dar o meu adeus à carne
Até o meu corpo verter em cinzas
Só quero a columbina para ser meu par
E assim celebrarmos juntos o eterno carnaval

sábado, 4 de fevereiro de 2012

A DANÇA

Já experimentei diversas religiões. Algumas bem de perto, outras apenas lendo sua literatura ou colhendo informações de outros praticantes.


É um tema que sempre me fascinou. Religião. Religar com a força divina que por algum motivo que não entendemos ao certo foi perdida.

É como se estivéssemos diante de um computador executando nosso trabalho e de repente a tela se apaga. Ficamos sem entender, pensando que ele estragou ou que acabou a luz ou outra coisa qualquer e só depois percebemos que o plug que estava afrouxado se desligou da tomada.

Talvez esteja nisso a explicação de estarmos afastado da luz divina. Talvez nossa ligação com Deus estivesse enfraquecida ainda e mesmo assim continuamos a mexer no computador sem o devido cuidado.

Cada religião possui seu sistema de dogmas, ritos, festas, orações, organização. Todos com os mais variados motivos. Ritos às vezes semelhantes, às vezes distintos, às vezes estranhos e sem sentido.

Em muitas religiões as pessoas participam do culto ou dos rituais sem nem entenderem o motivo daquilo. Apenas fazem porque alguém disse para fazer. Diferentemente de quando as pessoas estão reunidas numa festa ou num estádio de futebol ou num show de rock.

E observando pessoas numa festa ou numa danceteria que pensei que talvez as religiões devessem incluir em seus rituais a arte milenar da dança!

A dança talvez tenha surgido exatamente para agradar os deuses no Egito antigo. É possível que existam religiões que praticam a dança como forma de culto. Mas, por que a dança?

A dança é o movimento do corpo numa relação íntima com a música que está tocando. Como se uma energia envolvesse um corpo inanimado e o fizesse movimentar ganhando vida.

O movimento criado por uma energia que resulta em emoções. A vida em si é uma dança. Talvez Deus criou o ser humano no gênero masculino e feminino, não para apenas se procriarem, mas para dançarem. Para que, da união do masculino e do feminino, surgisse uma dança capaz de gerar movimentos e emoções para que o ser humano pudesse experimentar novamente a sensação de estar ligado com as forças divinas. O movimento impelido por uma energia gerando ação. E então dois seres se tornam apenas um. E ao final da dança quem sabe o ser humano se lembre que ao lado de Deus ele sempre foi um dançarino. Um dançarino que de repente quis criar sua própria música e abandonar o grupo e a orquestra.

Mas Deus nos deu o homem e a mulher, nos deu a capacidade de transformar sons em música, nos deu um corpo que pudesse acompanhar a música e a produzir música.

Dançar é se unir a outro corpo. É se ligar a esse corpo. Praticar religião é dançar com Deus e se fundir a Ele.

A dança é a maior das manifestações divinas que o ser humano pode realizar. Dancem e serão livres.

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

SOMBRAS

QUE BOM SERIA SE FOSSE SEMPRE ASSIM


QUE NÃO HOUVESSE MAIS TUMULTO

QUE O TEMPO FOSSE NOSSO PARA SEMPRE

EU TENTEI ENTRAR NO TEU MUNDO

ERREI EM TENTAR MUDÁ-LO

VIOLEI AS LEIS, MUDEI AS COISAS DO LUGAR,

MUDEI A COR DO TEU CÉU, PINTEI TEU MAR, TUAS ROSAS

MAS FOI PARA TENTAR TE FAZER FELIZ

SENTIREI SAUDADE DAS COISAS SIMPLES

SENTIREI SAUDADE DAS COISAS PEQUENAS

COISAS QUE NOS FAZIAM FELIZES

EU VOAVA

BRINCAVA

SONHAVA

VIAJAVA

AMAVA

DORMIA NOS TEUS BRAÇOS

ACORDAVA NO TEU COLO

ME ESQUECIA DAS COISAS RUINS

ENXERGAVA O MUNDO MELHOR

ENXERGAVA A “BONITEZA” DA VIDA

MAS EU TENTEI MUDAR OS NOMES

TIRAR AS COISAS DO LUGAR

ATÉ TENTEI ME MUDAR

SÓ PRA TE FAZER FELIZ

E AGORA VOCÊ ME MANDOU DE VOLTA AO MEU MUNDO

TRISTE E FEIO

ONDE NADA É COLORIDO

ONDE NADA É BONITO

ONDE NADA É SIMPLES

ONDE MINHA LÁGRIMA EXISTE

ONDE VOCÊ NÃO GOSTARIA DE MORAR

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

A FÁBRICA DE CHOCOLATES

Ana Lúcia trabalhava numa fábrica de chocolates finos. Ela ficava diante de uma esteira onde os bombons passavam. Sua tarefa era separar os bombons imperfeitos em seu formato para que não fossem embalados mais a diante. Um ótimo emprego. Ganhava bem, recebia participação nos lucros e de quebra ainda podia comer o quanto quisesse dos chocolates que ajudava a produzir. O dono da fábrica tratava todos os funcionários, da faxineira aos executivos, da mesma forma. Era um pai para todos eles.



Todos os dias Ana Lúcia pensava que se a fábrica fosse sua faria coisas diferentes. Sonhava em fabricar chocolates de sabores bem distintos, até exóticos, de tamanhos e formas variadas. Pensava em mudar os ingredientes e acrescentar outros. Então ela decidiu deixar a fábrica em que trabalhava e com o bom dinheiro juntado de seu trabalho montou sua própria fábrica.


E assim realizou o seu sonho. Construiu a fábrica do jeito que ela queria. Fabricava os chocolates do jeito que ela imaginava. Contratou diversos funcionários e rapidamente entrou no mercado.


Mas apesar de bons os seus chocolates eles não faziam concorrência aos da fábrica do seu antigo dono. E também não sabia tratar bem os funcionários que entravam e saiam, ora demitidos, ora pedindo demissão por não suportar trabalhar com uma chefa que parecia mais uma tirana.

Consequentemente sua fábrica começou a perder muitos funcionários. Mais do que ela conseguia contratar. E também aos poucos foi perdendo os clientes. Nem todos os funcionários contratados conseguiam produzir chocolates exatamente do jeito que Ana Lúcia queria e assim a qualidade dos doces despencava. Esteve a um ponto de vender a fábrica mas ela agora produzia lucros o suficiente para pagar as altas dívidas adquiridas com sua má administração. Tentou diversas vezes salvar a fábrica, mas seus planos sempre falhavam. E não conseguia ajuda de ninguém.


E somente quando pensou que tudo estava perdido foi que se lembrou de como era feliz sendo funcionária da fábrica de chocolates que ela trabalhava antigamente. Percebeu sua imaturidade em querer ter uma fábrica só para ela, em querer ser dona de um estabelecimento sem ter aprendido como ser dona de algo. E sem dar conta que o que ela fazia de melhor era separar chocolates.


Arrependida e desesperada, Ana Lúcia foi bater na porta do antigo patrão mas certa de que ele viraria as costas por ela ter saído de repente do trabalho. E para sua surpresa o dono da fábrica a recebeu de braços abertos e logo a readmitiu ao antigo posto. E para sua surpresa maior ainda foi promovida a chefia do setor de separação. Ela contou ao dono tudo o que passou na sua aventura desastrada de ser dona de uma fábrica tentando recusar a promoção. Mas o dono sabia tudo o que ela iria passar pois conhecia os planos de Ana Lúcia ao deixar a fábrica e construir sua própria.


O dono da fábrica estava certo que Ana Lúcia aprendeu com os erros e por isso não os repetiria podendo então assumir o cargo de chefia do setor. E ainda revelou a ela que todos os cargos mais elevados foram preenchidos por pessoas que passaram situação semelhante.


Esse era o grande segredo do sucesso da maior fábrica de chocolates da cidade. Seu dono nunca demitiu um funcionário. Mas não impedia que funcionários saíssem por contra própria oferecendo aumentos ou privilégios. O grande segredo é que o dono da fábrica acolhia todos que retornavam.



sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

FELIZ NATAL

http://www.youtube.com/watch?v=YEJ_QM-vB54

E lembrem-se: "Se Jesus nascer mil vezes em Belém e não nascer dentro de seu coração, de nada terá adiantado".

domingo, 11 de dezembro de 2011

RETROSPECTIVA

2011 foi um daqueles anos... como em todos os outros coisas boas e ruins aconteceram mas as ruins me fizeram desejar passar um reveillon daqueles de se esbaldar com castanhas e frutas, ficar acordado a madrugada inteira, fazer danças ritualísticas para tentar atrair um ano melhor. Foi um daqueles anos que se eu fizesse um jogo marcando 54 números os 6 sorteados sairiam naqueles que não marquei.

Tento pensar na máxima em que as dificuldades e os inimigos são ferramentas para o nosso crescimento. De fato são. Lições valiosas serão tiradas desse ano conturbado e difícil. Pelo menos cheguei ao ponto de ter consciência disso e não simplesmente me desesperar como já fiz em outras ocasiões.

Mas chego ao final do ano alegre pois certamente 2012 será um ano bem melhor. Estou me sentindo dentro de um carrinho de montanha-russa em franca queda mas certo que ao final dela subirei novamente. Assim é a vida. Quando nos deparamos com o inimigo procuramos identificar semelhanças que temos com ele e assim eliminamos essas semelhanças. Assim estamos evoluindo. O inimigo é tudo o que você não quer ser. Se enfrentá-lo já estará sendo derrotado no momento em que decidiu pelo embate. Ele quer que você desça até o seu nível para lutar de igual para igual.

As dificuldades são verdadeiras professoras. Nos ensinam quais caminhos seguir, de que modo seguir, com quem seguir...

Então festejarei a chegada do novo ano mas não farei planos. Não farei promessas. Quero andar com ele lado a lado, mês a mês, dia a dia. Apenas quero que 2012 aconteça. E assim estarei certo que acontecerei junto com ele.